
Com calor funde-se o momento. Há dois lados para se contar uma história, mas são muitos os tormentos. Disseram que o mundo é tridimensional, que basta uma olhada ali, logo adiante, e o mundo se abarca inteiro, num único caminhar, sempre solteiro, sempre acompanhado mas no momento decisório certeiro, sozinho.
Havia uma mulher defronte ao tanque. Lavava roupas do marido e do filho e havia um único tanque para várias famílias acomodarem seus dias a dias estanques. São válvulas que escapam sob os testículos dos maridos e dos ex-maridos e dos padrastros e dos muitos filhos e filhas que vêm compôr o mundo dos que trabalham para manter uma estranha unidade, mas muito familiar: a família.
E são tantos os testículos que atravessam os mares, e são tantas as armas que do meu testículo, que habita uma miríade de fantasmas, sou mais que um filho. Sou um perdedor social, debaixo da morte de muitos filhos.
Há espaço para a martirização, mas há espaço também para muitos filhos, espúrios, sem mar, sem terra, palpitando a seda por sobre a merda. E são muitas as felicidades, mas vestidas sempre, as felicidades, sob a forma de poucas algumas. É um barroco eterno elixir para se perpetuar a espécie, é um louco cadarço que me conduz sempre para novos espermas. O do mundo, o meu, quando abro as pernas para o mundo que não é seu nem meu.
Palpitando no escuro, fervilhando. Uma escuridão cabe sempre num antro. O antro não é seu nem meu. é do absurdo. E da injustiça que chafurda em felicidades. É do mundo construído sob mundos, angiospermas e perseus.